Caso Moraes é sobre quem sobrevive à crise no STF, diz especialista
A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) atingiu um nível tão grave que o debate já não é mais sobre os desdobramentos das acusações, mas sim sobre quem conseguirá sobreviver politicamente ao conflito. A avaliação é de Felipe Recondo, jornalista e pesquisador do STF, ao WW.
Segundo Recondo, diante do volume e da gravidade das suspeitas que pesam sobre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, torna-se cada vez mais difícil imaginar que ambos permaneçam no Tribunal ao final desse processo.
“Começo a apostar no Supremo e os 9”, afirmou, em referência à possibilidade de que um dos ministros não sobreviva à crise.
Acusações de lado a lado
Recondo destacou que é preciso separar dois conjuntos distintos de suspeitas. De um lado, estão as acusações contra Alexandre de Moraes, que envolvem seu suposto relacionamento com Daniel Vorcaro, o contrato da esposa do ministro, além de ligações, mensagens e uso de cartão de crédito.
Do outro, há a acusação de que André Mendonça teria utilizado a Polícia Federal para direcionar investigações contra colegas.
O pesquisador ressaltou que essa segunda acusação tem origem em um relatório produzido por uma parte da Polícia Federal que, segundo ele, estaria “em guerra” com Mendonça. Ainda assim, Recondo foi enfático: “Sendo isso verdade, é também grave.”
Para ele, se fosse estabelecido como prática que um ministro pode usar delegados para conduzir investigações direcionadas contra colegas, as consequências seriam “extremamente graves” para o funcionamento das instituições.
Processo eleitoral pode definir os rumos
Recondo também apontou que o desfecho da crise pode estar atrelado ao processo eleitoral. “A depender do processo eleitoral e do Senado no ano que vem, nós tenhamos algum tipo de consequência para essa ruptura que existe hoje dentro do Supremo”, disse.
Para ele, a situação é “sem precedentes” e ainda aguarda respostas formais dos envolvidos, além de eventuais medidas adicionais para tentar contornar o impasse.
“Nós estamos diante de acusações e suspeitas de lado a lado, que talvez nos levem a pensar quem é que sobrevive ao final desse processo, ou Alexandre de Moraes ou André Mendonça”, concluiu Recondo, reforçando que suas análises foram feitas no calor dos acontecimentos, sem que as respostas definitivas dos ministros envolvidos ainda tivessem sido apresentadas.



