NASA confirma funcionamento de escudo térmico da cápsula da Artemis II que levou astronautas para Lua
A missão Artemis II, da NASA, que levou quatro astronautas ao redor da Lua e os trouxe de volta à Terra em segurança, enfrentou temperaturas extremas durante a reentrada na atmosfera terrestre. Para proteger a tripulação e os sistemas da espaçonave Orion, a nave conta com um escudo térmico projetado para suportar o calor intenso.
Após análises dos dados de engenharia, a NASA confirmou que o sistema de proteção térmica funcionou conforme o esperado. Durante o retorno à Terra, a espaçonave atingiu uma velocidade de aproximadamente 39 vezes a velocidade do som, enquanto as temperaturas externas ultrapassaram 4.000 graus Fahrenheit, o equivalente a cerca de 2.204 °C.
Apesar das condições extremas, os quatro astronautas foram mantidos a uma temperatura interna de aproximadamente 23 °C.
Artemis I e as mudanças no escudo térmico
Após analisar o desgaste do escudo térmico durante a missão Artemis I, por meio de testes em laboratório, a NASA identificou pontos que precisavam de atenção. Em resposta, a agência alterou a trajetória de reentrada da Orion para a missão Artemis II.
A nova rota reduziu o tempo de exposição da espaçonave ao calor extremo durante a reentrada, uma das condições associadas aos danos observados no escudo térmico da missão anterior.
Os engenheiros também verificaram o desempenho do equipamento em diferentes regiões da estrutura, incluindo as junções entre os blocos que compõem o escudo e as áreas ao redor dos parafusos de fixação.
Inspeção após o pouso

As primeiras inspeções do escudo térmico foram realizadas por mergulhadores logo após o pouso e pela equipe a bordo do navio de recuperação. As avaliações iniciais indicaram que o equipamento apresentou o desempenho esperado. Em comparação com a Artemis I, foram observadas menos rachaduras e uma menor perda de material durante a reentrada atmosférica.
Após o retorno da Orion, especialistas em sistemas de proteção térmica iniciaram uma análise mais detalhada do equipamento. O escudo é composto por 186 blocos de um material ablativo chamado Avcoat, desenvolvido para dissipar o calor e proteger a estrutura da espaçonave.
O equipamento foi levado ao Centro de Voos Espaciais Marshall, da NASA, no Alabama, nos Estados Unidos. Em agosto, os especialistas começaram a retirar pequenas amostras do material e a realizar exames de raios X para investigar a estrutura interna do escudo e compreender melhor seu comportamento durante a missão.
Os engenheiros também comparam as medições a laser realizadas após o voo com os dados coletados antes do lançamento. O objetivo é calcular a quantidade de material perdida durante a reentrada e verificar se os resultados correspondem às previsões.
A equipe continua retirando amostras para realizar testes e analisar as propriedades do material.
Próximos passos: Artemis III
A NASA já se prepara para a missão Artemis III, prevista para 2027. O voo deverá levar quatro astronautas à órbita baixa da Terra para testar tecnologias e procedimentos necessários às futuras viagens tripuladas à Lua.




