Greve de ônibus em SP recomeça após demissão de grevista por justa causa

A greve dos motoristas de ônibus que eram geridos pela empresa Transwolff, em São Paulo, será retomada a partir da meia-noite desta quarta-feira (21). Segundo a categoria, houve retaliação contra os funcionários, através de pelo menos três demissões por justa causa, e falta de comprovação dos pagamentos do INSS.

Segundo Júnior Araújo, motorista e integrante da liderança da categoria, a SPTrans entregou um documento aos trabalhadores, mas o material não respondia a nenhuma das questões discutidas durante a greve.

O representante também alegou que todos os grevistas foram informados informalmente que não seriam perseguidos nem sofreriam represálias.


Telegrama informando demissão por justa causa • CNN Brasil

“Na data de hoje (20), na parte da manhã, eu já recebi um comunicado por telegrama da empresa, dizendo que eu tinha sido dispensado por justa causa”, apontou Júnior. Diante dessa situação e de outras questões, os motoristas decidiram retomar a greve e não voltar ao trabalho enquanto as reivindicações não forem discutidas.

O advogado que representa os trabalhadores, Emerson Rosa, afirmou que a retomada da paralisação ocorre porque as empresas não prestaram esclarecimentos sobre os valores do INSS que, segundo os motoristas, não têm sido recolhidos, além das pendências relacionadas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Sem respostas concretas, a greve deve ser retomada nos primeiros minutos desta quarta-feira (21). 

A CNN Brasil entrou em contato com a SPTrans e com a Transwolff, mas, até o momento, não recebeu retorno. O espaço segue aberto.

Transporte impactado

Trinta e quatro linhas de ônibus do lote D10, que atendem mais de 267 mil passageiros da região Sul da cidade, foram impactadas. O sistema Paese (Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência) foi acionado e atendeu ao serviço de transporte até a normalização das garagens.

SPtrans assume linhas da Transwolff

A SPTrans assumiu oficialmente a gestão das operações da empresa Transwolff em dezembro de 2025, após a prefeitura decretar caducidade dos contratos com a empresa de ônibus. A Transwolff sofreu essas mudanças após ser citada nas investigações do MPSP (Ministério Público de São Paulo) e da Polícia Civil sobre a aderência da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de transporte coletivo de São Paulo.

Um dos investigados, o ex-presidente da Câmara de São Paulo e ex-vereador, Milton Leite, é citado, nos autos das apurações, como o verdadeiro dono da empresa Transwolff.

 

*Sob supervisão de Thiago Félix

0
0

PROCURAR