Filha de vítima critica plano dos EUA de transmitir execução ao vivo

A filha de uma das vítimas do ataque a tiros em Fort Hood, nos Estados Unidos, criticou o plano de transmitir ao vivo a execução de Nidal Malik Hasan, condenado por matar 13 pessoas na base militar em 2009.

Keely Cahill Vanacker afirmou que a iniciativa transforma uma tragédia em entretenimento e não oferece às famílias um desfecho para a perda dos parentes.

“Isso não tem nada a ver com justiça. É uma tragédia que está virando entretenimento”


Keely Cahill Vanacker, filha de um dos militares mortos no ataque em Fort Hood

 

Vanacker também disse que a transmissão poderia ampliar o sofrimento dos familiares, especialmente diante da possibilidade de as imagens circularem nas redes sociais.

“Isso não traz a família de ninguém de volta. A transmissão ao vivo não proporciona um desfecho para nenhum de nós”, declarou.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou na última semana que a execução seria pública. Em entrevista ao podcaster Jack Posobiec, a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, ele disse que as pessoas deveriam poder assistir ao procedimento para compreender as consequências de ataques como o ocorrido em Fort Hood.

Na quinta-feira (8), um funcionário do Pentágono afirmou que a execução “será transmitida ao vivo”, mas não apresentou detalhes sobre como isso seria feito.

O Pentágono anunciou na segunda-feira (5) que Hasan será executado por um pelotão de fuzilamento, medida recomendada por Hegseth e aprovada pelo presidente Donald Trump. O secretário interino do Exército, Adam Telle, marcou a execução para 3 de dezembro, às 14h, no horário local.

Família diz que não foi consultada

Vanacker afirmou que a possibilidade de transmitir a execução não foi discutida com os familiares, apesar de eles terem sido consultados durante etapas importantes do processo judicial.

“Mas, neste caso específico — tratando-se da transmissão ao vivo ou da execução por fuzilamento de alguém que está paralisado, nada disso foi discutido conosco. Nunca fomos consultados, nunca nos perguntaram nada”, disse.

Ela relatou que soube da possibilidade de transmissão por meio de um vídeo publicado no Instagram. Depois, recebeu uma ligação do filho, que queria saber se a informação era verdadeira.

“Fiquei sabendo por meio de um vídeo no Instagram; meu filho me ligou perguntando: ‘Ei, mãe, isso é verdade?’… Ele tinha encontrado um meme; sabe, ele tinha uns dois anos quando meu pai foi morto”, afirmou.

Segundo Vanacker, durante a corte marcial, a equipe de acusação consultava as famílias sobre decisões importantes, como a possibilidade de aceitar um acordo judicial ou prosseguir com o julgamento.

Na época, a alternativa ao julgamento poderia resultar em prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. A filha afirmou que essa possibilidade não era aceitável para os familiares e que eles apoiaram a busca pela pena de morte.

“Nós entendíamos aonde isso iria levar, como tudo isso inevitavelmente terminaria”, disse.

Ela ressaltou, porém, que o apoio à execução não significa concordância com a transmissão pública do procedimento. Segundo a mulher, mesmo entre familiares que desejam a execução como forma de encontrar um desfecho, a ideia de exibi-la ao vivo não é considerada aceitável.

Ataque em Fort Hood

Hasan foi condenado em julho de 2013 por 13 acusações de homicídio premeditado e 32 de tentativa de homicídio. Durante o julgamento, afirmou que tinha como alvo soldados que seriam enviados ao Afeganistão e que, segundo ele, participariam de uma guerra ilegal.

No dia do ataque, Hasan abriu fogo contra militares que estavam no centro de processamento médico de Fort Hood para realizar exames antes de uma mobilização. Depois, seguiu soldados que tentavam fugir pela porta dos fundos do local e trocou tiros com policiais, que o atingiram.

A execução por pelotão de fuzilamento seria a primeira desse tipo realizada pelo Exército dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial.

Uma eventual transmissão pública ao vivo também pode levantar questões relacionadas às regras militares.

O Regulamento 190-55 do Exército estabelece quem pode presenciar uma execução militar e proíbe a presença de menores de idade. O marechal-preboste geral do Exército pode dispensar determinadas disposições, desde que a decisão não contrarie leis ou normas superiores vinculantes.

(Com informações de Haley Britzky, da CNN)

Entenda como é executada a pena de morte nos EUA

 

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