Eleição presidencial será sobre escândalos, não propostas, diz Arko Advice
O início das campanhas eleitorais dos presidenciáveis foi avaliado com ceticismo por Murillo de Aragão, cientista político e CEO da Arko Advice, ao WW. Para o analista, a disputa não será decidida por propostas, mas sim pelo volume de escândalos que cada lado acumulará ao longo do período eleitoral.
Segundo Aragão, a eleição terá como protagonistas cerca de 5 a 6 milhões de eleitores independentes, que não têm alinhamento fixo com nenhum dos campos em disputa. “Essa é uma eleição de escândalos, não é uma eleição de propostas. É uma eleição de vazamentos”, afirmou o analista.
Esses eleitores, segundo ele, tenderão a votar no candidato considerado o “menos pior” ou, ao contrário, no adversário daquele que mais rejeitam.
Narrativas que não empolgam
Aragão avaliou que nenhum dos lados apresenta uma narrativa capaz de mobilizar o eleitorado de forma ampla. No campo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o analista destacou que o candidato optou por não buscar o centro político, ficando “capturado no discurso nós contra eles”, agora revestido pela retórica da soberania nacional.
Já o lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo Aragão, trabalha com a narrativa de revolta contra o que teria acontecido com o pai, em um “campo de mágoa muito grande”.
Para o analista, o que efetivamente decidirá a escolha, salvo um acontecimento extraordinário, será o volume de escândalos e o quanto eles poderão danificar cada candidatura.
Eleição da rejeição
O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, concordou com a avaliação de Aragão e acrescentou que a eleição atual se diferencia da de 2022 por ser marcada, sobretudo, pela rejeição. “Agora é uma eleição da rejeição, de que ninguém está empolgado”, disse.
Como exemplo, mencionou que Lula precisou reunir militância de outras cidades e estados para encher o estádio em seu primeiro discurso de campanha, enquanto Flávio Bolsonaro também não conseguiu reunir grande público em Copacabana para a inauguração de seu movimento.
O participante também apontou que cada lado definiu claramente o seu inimigo: para a campanha de Flávio Bolsonaro, o adversário seria o STF; para a campanha de Lula, o adversário seria o presidente americano, Donald Trump, e a ideia de interferência estrangeira.
Além disso, destacou que, em comparação com o mesmo período da eleição de 2022, quando a diferença nas pesquisas do Datafolha era de mais de 10 pontos a favor de Lula, a margem atual é significativamente menor.
“Aquela diferença que foi de mais de 10 pontos em 17 de agosto de 2022 acabou em quase nada, agora é de 3”, concluiu.



