Sequestro da filha em disputa por dívida foi peça-chave para prisão de chefe do PCC na Bolívia

Gerson Palermo, chefe do PCC solto por desembargador de MS é preso na Bolívia
A prisão de Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), começou a ser desvendada a partir de uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul que tinha como foco um caso envolvendo a família do traficante. Segundo as autoridades, informações obtidas durante a apuração do sequestro da filha dele, durante uma disputa por valores do tráfico internacional de drogas, ajudaram a identificar o paradeiro de Palermo.
Palermo foi preso nesta terça-feira (26), em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, durante uma operação conjunta entre a Polícia Federal, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e a Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia (FELCN). Ele estava foragido desde 2020.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp
Condenado a quase 126 anos de prisão, o traficante deixou o sistema prisional após ter a prisão domiciliar autorizada pelo desembargador Divoncir Schreiner Maran. Palermo fugiu horas após sair do presídio de segurança máxima de Campo Grande.
Segundo o comandante da força antidrogas boliviana, David Gómez, ele será expulso do país e entregue às autoridades brasileiras.
“Ele não tinha nenhum processo aqui na Bolívia, mas estava se escondendo, fugindo da Justiça brasileira no nosso país”, afirmou.
Gerson Palermo foi preso na Bolívia após ficar seis anos foragido.
Reprodução
Sequestro da filha envolveu disputa por suposta dívida
O caso que deu início às investigações ocorreu em outubro de 2025 e teve como vítima Gabrielly Sanches Palermo, de 25 anos, filha do traficante.
Conforme o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), ela teria sido sequestrada para pressionar a família a pagar uma suposta dívida ligada ao próprio Gerson Palermo. O valor citado nas apurações varia entre US$ 100 mil e 200 mil euros.
A investigação aponta que o dinheiro seria referente a uma quantia que o traficante teria deixado sob guarda do ex-sogro, Salvador Sanches, em 2015.
O caso foi investigado pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras).
LEIA TAMBÉM
Filha de chefe do PCC sequestrada pelo próprio pai vira assistente de acusação no caso
Veja antes e agora de Gerson Palermo ao fugir de MS e como ele foi preso na Bolívia após 6 anos
Cativeiro, ameaças e resgate em Campo Grande
De acordo com a denúncia do MP, Gabrielly foi mantida em cativeiro em Campo Grande. Durante o crime, os suspeitos chegaram a enviar fotos da vítima amarrada à família e fizeram exigências de pagamento.
A jovem foi localizada e libertada pela polícia em 25 de outubro de 2025, no bairro Moreninhas. Após o resgate, ela relatou agressões durante o período em que esteve presa.
“A vítima relatou ter sido agredida com chutes, socos, puxões de cabelo e coronhadas de arma de fogo na cabeça, além de ter permanecido amarrada”, diz a denúncia. O marido dela também teria sido ameaçado durante a ação.
Um suspeito, identificado como Reinaldo Silva de Farias, foi preso em flagrante. Ele é apontado como participante do crime e, segundo a investigação, mantinha contato com a família para cobrar o resgate.
Como a investigação chegou a Palermo
Com a resolução do caso, equipes do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garras) e da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) avançaram nas apurações.
O Núcleo de Inteligência da DEPCA passou a trabalhar em conjunto com a Polícia Federal e autoridades bolivianas. A troca de informações permitiu identificar o paradeiro de Gerson Palermo na região de Santa Cruz de La Sierra.
Conforme a Polícia Civil, o trabalho de monitoramento durou meses até a confirmação da localização e a deflagração da operação que levou à prisão.
Foragido desde 2020 e histórico de condenações
Palermo estava foragido desde abril de 2020, quando conseguiu prisão domiciliar durante um plantão judicial no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e fugiu poucas horas depois.
Ele acumula condenações que somam quase 126 anos de prisão, por crimes como tráfico internacional de drogas e associação criminosa.
O histórico inclui ainda o sequestro de um avião da antiga Vasp, em 2000, quando uma aeronave foi desviada durante o voo e obrigada a pousar no Paraná. Na ocasião, foram roubados cerca de R$ 5,5 milhões.
Anos depois, ele voltou a ser alvo da Polícia Federal na Operação All In, que investigou um esquema de tráfico de cocaína entre Bolívia e Brasil.
Prisão na Bolívia e próximos passos
A prisão em Santa Cruz de La Sierra ocorreu em ação conjunta entre forças brasileiras e bolivianas. Segundo autoridades, Palermo não tinha processos na Bolívia, mas utilizava o país como esconderijo.
A expectativa é que ele seja expulso e entregue à Justiça brasileira nos próximos dias. A captura também reforça investigações sobre o uso da Bolívia como rota e refúgio de integrantes do PCC, de acordco com autoridades de segurança pública.
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:




