Por que o ouro perdeu brilho em meio à guerra no Oriente Médio?
Barras de ouro
Reuters
O ouro costuma ser visto como um investimento de proteção em momentos de instabilidade nos mercados. Mesmo assim, os volumes de investimento no metal caíram no primeiro trimestre, segundo dados divulgados na quarta-feira (29) pelo Conselho Mundial do Ouro.
De acordo com a entidade, os investimentos em ouro recuaram 5% no período, apesar de o metal ter atingido uma máxima histórica em janeiro. Naquele momento, a busca por proteção aumentou diante da fraqueza do dólar e das incertezas em torno da condução da política econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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O relatório também aponta que “fortes saídas de capital em março reverteram grande parte das entradas de janeiro e fevereiro” nos fundos negociados em bolsa (ETFs) de ouro, uma forma simples de investir nesse metal. Segundo o conselho, esse movimento ocorreu principalmente em fundos baseados nos EUA.
Juan Carlos Artigas, especialista do Conselho Mundial do Ouro, afirma que o metal costuma ser um dos primeiros ativos vendidos quando investidores precisam levantar recursos rapidamente.
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“Muitas vezes, como o ouro é tão amplamente aceito, ele é a primeira coisa a ser vendida quando é preciso ter acesso a dinheiro ou liquidez.”
Tensões no Oriente Médio
O cenário se intensificou após ataques de Israel e dos EUA ao Irã. Em resposta, Teerã bloqueou o trânsito pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
A medida fez os preços do petróleo e do gás dispararem e aumentou a volatilidade nos mercados, levando muitos investidores a buscar recursos para cobrir perdas ou ajustar suas posições.
Outro fator que pesou sobre o mercado foi a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), eleve as taxas de juros para conter a inflação. Esse movimento fortalece o dólar e tende a tornar o ouro mais caro para investidores que utilizam outras moedas.
Apesar da queda no volume comprado, o valor das aquisições subiu 62%, refletindo a forte alta dos preços do metal. O ouro chegou a quase US$ 5.600 por onça no fim de janeiro e registrou média de US$ 4.873 por onça ao longo do trimestre.
Mesmo com essa valorização, os preços elevados reduziram a demanda por joias. O setor também foi afetado pela guerra, já que o Oriente Médio é um importante centro logístico para o transporte desses produtos.




