Ministro do Petróleo do Irã pede à população que reduza consumo
O ministro do Petróleo do Irã, Mohsen Paknejad, pediu à população que reduza o consumo, chamando a “conservação e economia” de um princípio geral “e um dever religioso”, ao mesmo tempo em que minimizou o impacto do bloqueio naval dos Estados Unidos.
“O inimigo não conseguirá nada por meio de um bloqueio naval contra o Irã”, disse Paknejad, segundo a mídia oficial iraniana na quarta-feira (29).
Ele afirmou que “não há preocupação” quanto ao fornecimento e à distribuição contínuos de combustível, acrescentando que os trabalhadores do setor petrolífero estão atuando 24 horas por dia para evitar qualquer interrupção nos serviços. “Vimos durante a guerra que muitos países recorreram à gestão e à redução do consumo devido à escassez de combustível”, acrescentou Paknejad.
O governo iraniano já começou a adotar medidas para evitar possíveis escassezes de combustível e bens. Na semana passada, lançou uma ampla campanha de economia de energia em meio ao bloqueio, segundo veículos de mídia iranianos.
Escritórios governamentais em todo o Irã foram instruídos a reduzir o uso de eletricidade em até 70% após as 13h, enquanto as famílias estão sendo incentivadas a diminuir o consumo com incentivos como descontos nas contas de luz para aqueles que reduzirem seu uso.
A interrupção no transporte marítimo e, consequentemente, nas importações, também prejudicou a já frágil economia do Irã, “colocando 50% dos empregos iranianos em risco e empurrando mais 5% da população para a pobreza”, segundo Hadi Kahalzadeh, do Quincy Institute, um think tank de política externa.
A economia iraniana já estava em situação crítica antes do conflito. A renda per capita caiu de cerca de US$ 8.000 em 2012 para US$ 5.000 em 2024, afetada pela inflação, corrupção e sanções.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.900 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Mais de 2.500 morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.
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