Presidente do Equador acusa Petro de promover ‘incursão’ guerrilheira a partir da Colômbia

Quito, 29 Abr 2026 (AFP) – O presidente do Equador, Daniel Noboa, acusou nesta quarta-feira (29) seu par colombiano, Gustavo Petro, de promover uma “incursão” guerrilheira pela fronteira, o que aumenta a tensão em meio a uma crise comercial e diplomática entre os dois países.
Quito e Bogotá estão em conflito desde fevereiro devido às críticas do direitista Noboa sobre a suposta falta de ajuda de Petro no combate ao narcotráfico e à criminalidade na fronteira comum.
“Várias fontes nos informaram sobre uma incursão pela fronteira norte de guerrilheiros colombianos, impulsionada pelo governo de Petro. Vamos proteger nossa fronteira e nossa população”, escreveu Noboa na rede social X.
O presidente equatoriano não apresentou provas nem especificou a data ou o local onde a suposta incursão teria sido detectada.
Petro respondeu na mesma rede social: “Vá até a fronteira norte e me encontre lá para construirmos a paz nesses territórios, deixe de acreditar em mentiras”.
Nesta semana, Petro também fez acusações contra Noboa, a quem atribui ingerência nas campanhas presidenciais para favorecer a direita antes das eleições de 31 de maio.
Além disso, sugeriu que os explosivos usados em um atentado com bombas no sábado – que deixou 21 civis mortos – vieram do Equador.
Guerrilheiros dissidentes das extintas Farc assumiram a autoria do ataque e afirmaram que ocorreu em meio a combates com o Exército, sendo resultado de um “erro tático”.
“Presidente Petro, dedique-se a melhorar a vida do seu povo em vez de querer exportar problemas para países vizinhos”, escreveu Noboa.
Mais cedo, o presidente colombiano havia publicado imagens de Noboa ao lado de líderes da direita colombiana: “Noboa é o responsável por desestabilizar a Colômbia”, escreveu na rede social X.
Segundo o governante equatoriano, Petro não fez o suficiente para conter o narcotráfico na fronteira de 600 quilômetros que os dois países compartilham. Ao longo dessa linha fronteiriça operam grupos dedicados ao narcotráfico, ao tráfico de pessoas, à mineração ilegal e ao contrabando.
O Equador adota uma política de linha dura contra o crime, mas a violência não diminui. O país é um dos mais inseguros da região, com uma taxa de 51 homicídios por 100 mil habitantes em 2025.
Em entrevista à AFP na terça-feira, o ministro do Interior equatoriano, John Reimberg, explicou suas razões e apontou três responsáveis: um sistema de justiça por vezes permeado pela corrupção, governos anteriores de esquerda e a Colômbia.
“Temos um país vizinho que não está trabalhando na fronteira”, afirmou.
Quito elevou para 100% o imposto sobre importações colombianas, e Bogotá respondeu com uma medida semelhante.
Além disso, os governos convocaram seus embaixadores para consultas.
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