Rei Charles III visita os EUA mesmo após tiroteio na Casa Branca; o que esperar da visita


Rei Charles III em 2022
Hollie Adams/Reuters
O rei Charles III inicia nesta segunda-feira (27) uma visita de quatro dias aos Estados Unidos, onde será recebido pelo presidente Donald Trump, em um momento em que a relação entre Londres e Washington, aliados históricos, está abalada.
A viagem, planejada antes da guerra com o Irã, marca os 250 anos da independência americana. A segurança do monarca foi reforçada após um homem armado invadir, no sábado (25) à noite, um jantar com a imprensa, com a intenção de atirar em Trump. Apesar do incidente, a visita foi mantida.
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Trata-se de uma viagem arriscada do ponto de vista diplomático, mas também de uma oportunidade para tentar reaquecer a chamada “relação especial” entre Estados Unidos e Reino Unido. Alguns historiadores britânicos classificam o momento como a pior crise anglo-americana em um século.
Charles III chega a Washington com a missão de apaziguar um presidente considerado imprevisível, mas que demonstra respeito e admiração pelo monarca. Tradicionalmente, a monarquia britânica defende valores como democracia, liberdade e paz, princípios que vão de encontro à atual situação geopolítica no Oriente Médio.
A visita foi organizada antes da ofensiva de Trump e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, contra o Irã. Após intensos debates, o compromisso foi mantido na agenda do rei, que, além de representar o governo britânico, é também comandante-chefe das Forças Armadas.
Trump tem criticado publicamente o primeiro-ministro Keir Starmer. Já chamou os porta-aviões britânicos de “brinquedos”, além de fazer outras comparações ofensivas ao que historicamente é seu principal aliado. Em uma delas, afirmou que Starmer “não é Winston Churchill”.
O rei também é chefe da Igreja Anglicana, e a imagem, posteriormente apagada, criada por inteligência artificial que mostrava Trump como Jesus não é exatamente confortável para Charles III. É nesse cenário turbulento que o rei e a rainha Camila terão de atuar.
Caso Epstein e Malvinas
Ex-príncipe Andrew é preso em meio a investigação sobre ligações com Epstein
O escândalo envolvendo o irmão do rei, Andrew Mountbatten-Windsor, e o pedófilo Jeffrey Epstein ainda paira sobre a monarquia.
Charles III foi criticado por se recusar a se encontrar com sobreviventes de Epstein durante a visita. Como gesto compensatório, a rainha Camila deverá conversar com vítimas de violência doméstica.
O caso também atinge o governo de Keir Starmer, que enfrentou uma semana difícil após revelações de que o embaixador indicado para Washington — também ligado a Epstein — não havia sido aprovado em processos de segurança, mas assumiu o cargo mesmo assim.
Para agravar o cenário, um e-mail do Pentágono vazado na semana passada indicou que os Estados Unidos poderiam rever o apoio ao Reino Unido na questão da soberania das Ilhas Malvinas.
O governo britânico reagiu rapidamente, reafirmando que o arquipélago — ainda alvo de disputa — pertence ao Reino Unido desde 1833, e não à Argentina.
Embora a Casa Branca não tenha se pronunciado oficialmente, o documento é interpretado como uma forma de pressionar membros da OTAN que, na visão de Trump — especialmente Reino Unido e Espanha —, não estariam oferecendo apoio suficiente à guerra contra o Irã.
Além disso, Trump é alinhado politicamente com o presidente argentino Javier Milei.
Segurança reforçada e agenda oficial
O Palácio de Buckingham e o governo americano trabalham em conjunto para garantir a segurança dos monarcas após o incidente de sábado. A agenda pode sofrer ajustes, mas a visita está confirmada.
Charles III e a rainha Camila chegam a Washington nesta segunda-feira, participam de um chá privado com Donald Trump e a primeira-dama Melania Trump, e seguem para uma recepção no jardim da Casa Branca.
Na terça-feira, o rei será recebido com honras militares e terá um encontro privado com Trump, inicialmente sem a presença da imprensa. À tarde, fará um discurso no Congresso americano e, à noite, participará de um banquete oficial.
Na quarta-feira, o casal segue para Nova York, onde prestará homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro e participará de um evento com representantes das indústrias criativas.
Na quinta-feira, a agenda continua no estado da Virgínia, em celebrações pelos 250 anos da independência americana.
Serão quatro dias intensos, com diversas ocasiões para discursos públicos que devem ser analisados com atenção. A expectativa é que o rei consiga, como sugeriu Trump, contribuir para a reaproximação entre os dois países.
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