Irã entrega exigências para o fim da guerra e rejeita conversa direta com EUA em meio a clima hostil de 2ª rodada de negociações
Nova rodada de negociações sobre a guerra entre Irã e Estados Unidos
O chanceler do Irã, Abbas Aragchi, entregou neste sábado (25) as exigências de seu país para um acordo de fim da guerra no Oriente Médio, segundo a agência de notícias Reuters com base em fontes do governo paquistanês.
➡️ Representantes dos Estados Unidos e do Irã iniciaram tratativas indiretas neste sábado em Islamabad, no Paquistão, país que media negociações entre as duas partes.
As fontes ouvidas pela Reuters disseram que Aragchi entregou ao Paquistão documentos com as exigências do Irã e também com ressalvas de Teerã às propostas dos Estados Unidos. O conteúdo dos documentos não havia sido revelado até a última atualização desta reportagem.
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Na sexta-feira (24), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse acreditar que a nova proposta do Irã atenderia às exigências dos EUA para o fim da guerra. “Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no comando agora”, disse ele na sexta. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, também falou de “avanços” e “progressos”.
No entanto, apesar de Trump sinalizar um consenso, as tratativas deste sábado ocorrem em um clima mais hostil que a primeira rodada de negociações, há três semanas, quando representantes das duas partes ficaram de fato frente a frente, entre eles o vice-presidente dos EUA, JD Vance.
A Casa Branca havia informado que os enviados especiais dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, que viajaram para Islamabad neste sábado, teriam conversas diretas com Araghchi, mas o chaceler iraniano disse que só tinha planos de tratar com negociadores iranianos.
A última rodada de negociações deveria ter sido retomada na terça-feira (21), mas não ocorreu. O Irã disse que não estava pronto, e a delegação americana não deixou Washington. No mesmo dia, Trump prorrogou o cessar-fogo entre os dois países para permitir a retomada das conversas.
Situação em Ormuz
Mural anti-EUA é visto em Teerã, capital do Irã, em 11 de abril de 2026. Guerra no Oriente Médio está na sexta semana.
Majid Asgaripour/WANA via Reuters
O tráfego marítimo segue paralisado no Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo. A região está sob um duplo bloqueio, de Irã e Estados Unidos.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse na sexta-feira que a reabertura de Ormuz é “vital para o mundo”. Enquanto isso, o mercado de petróleo fechou em alta, com otimismo sobre a retomada das conversas de paz.
Trump afirmou que tem “todo o tempo do mundo” para negociar a paz com o Irã, enquanto mantém a pressão militar. Um terceiro porta-aviões, o USS George H.W. Bush, opera perto da região.
No Líbano, o cessar-fogo está sob pressão. Trump anunciou na quinta-feira (23) uma prorrogação de três semanas na trégua, após conversas entre representantes israelenses e libaneses em Washington.
“Iniciamos um processo para alcançar uma paz histórica entre Israel e Líbano, e parece evidente que o Hezbollah tenta sabotá-lo”, disse nesta sexta-feira o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
O Hezbollah, apoiado pelo Irã, afirmou que a prorrogação não faz “sentido”, diante dos “atos de hostilidade” de Israel. O grupo extremista também pediu que o governo libanês se retire das negociações diretas com Israel.
*Com Reuters e AFP.
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